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domingo, 25 de abril de 2010

A RELAÇÃO DO ABUSO SEXUAL COM A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES E COM A HETEROFOBIA



Rozangela Justino[1]

“Pode ser possível enganar todo o povo parte do tempo, ou parte do povo todo o tempo. Mas não enganar todo o povo todo o tempo” (Lincoln)


Desde 1988 até 2009
[2], tanto em meu consultório como nas instituições de apoio a quem voluntariamente deseja deixar a homossexualidade, ouvi relatos de homens adultos sobre como começaram o envolvimento sexual com pessoas do mesmo sexo na infância e/ou adolescência. Assim, este artigo propõe uma breve análise quanto à banalização do abuso sexual de crianças e adolescentes em nossa sociedade e a estreita relação de tal tipo de abuso com a violência contra mulheres e com a heterofobia[3].

A literatura dos movimentos sociais que visam à liberação de todas as formas de expressão e diversidade sexuais (do pansexualismo, passando pela legalização da prostituição de homens e mulheres, até a pedofilia) está cheia de histórias semelhantes às que ouvi durante anos de prática profissional e participação em instituições de apoio a quem deseja deixar a condição homossexual. Por isso, para esta análise específica, foi selecionado o artigo de Welzer-Lang
[4], que reconhece a ocorrência de constantes relações homossexuais na “educação dos meninos”. Estes são obrigados a participar de “brincadeiras sexuais” que incluem a masturbação – às vezes, até com a participação de adultos –, sendo a exposição individual e coletiva de meninos à pornografia o meio de estímulo para excitação mútua.

Welzer-Lang denominou de “A Gaiola da Virilidade” o lugar de risco e abuso em que ocorre a “aprendizagem” sexual entre os meninos, perfeitamente aplicável à cultura masculina brasileira. O autor define o que chama “antecâmara da casa dos homens” como um lugar frequentado, periodicamente, por homens adultos que ocupam o lugar de irmão mais velho do menino - “encarregados de controlar a transmissão dos valores” – como também pedagogos, monitores de esporte, chefes de escoteiros, determinados artistas e outros, inclusive dos líderes religiosos, dos quais não se suspeita. Alguns se fazem presentes fisicamente e outros não, alguns agem através de “mensagens sonoras”, de imagens que podem ser observadas nesse lugar de risco, manifestas, inclusive, através de denominados artistas, cantores, poetas. Para Lang, na cultura de cada vilarejo, independente de classe social, numerosos meninos são abusados, pois entre eles se transmite a ideia de que para ser viril é preciso sofrer. Entendo que esta é uma falsa ideia, pois é como se a virilidade viesse do sofrimento e não fosse parte da natureza do ser humano do sexo masculino. O autor reconhece, ainda, que o iniciado em tais brincadeiras “obrigatórias” entre integrantes do sexo masculino guarda “marcas indeléveis”.

As brincadeiras agressivas que demonstram superioridade física, tais como golpes, socos, pontapés, empurrões e simulação de brigas, são preliminares da pressão constante que leva os meninos a realizarem “brincadeiras sexuais”. Ainda as ofensas, o roubo, a ameaça, a gozação, o controle e a pressão psicológica também fazem parte do repertório para que meninos e adolescentes obedeçam e cedam às injunções e aos desejos de outros iguais. Particularmente, concordo quando Welzer-Lang afirma que esse tipo de relacionamento leva os mais frágeis emocionalmente a se colocarem no “papel de mulher”, enquanto gera agressividade e competição entre os demais. Estes meninos, que se veem como menos frágeis, então, passam a agredir as mulheres como uma forma de negação do receio de se parecer com qualquer uma delas.

Dessa forma, entendo que as “brincadeiras sexuais” na infância possam ser uma explicação plausível para a violência cometida contra a mulher por tantos homens, os quais acabam se deparando com a punição prevista na Lei Maria da Penha
[5].

Parece redundante repetir, mas importa observar que Lang reconhece os reflexos negativos do abuso na vida adulta de quem foi sexualmente abusado na infância, além da possibilidade de os participantes desse tipo de relação reproduzir a violência que sofreram. Isso confirma as estatísticas, que apontam para um grande percentual de abusados entre os autores de abusos sexuais, ou seja, para uma das resultantes mais terríveis deste tipo de violência para a vida adulta, pois o abuso sexual entre meninos se torna uma bola de neve com consequências desastrosas.

As estatísticas mostram que 50% das vítimas de abusos sexuais se tornam autoras de abusos sexuais.
[6] O abuso sexual, sendo praticado de forma violenta ou não, é um tipo de agressão perversa que leva muitos dos abusados a se tornam autores deste ou de outros tipos de abusos, dentre eles a agressão contra mulheres.

Não se pode negar que a maioria dos meninos e meninas passou por esta experiência na infância e/ou adolescência devido à forte cultura abusiva que encontra respaldo na banalização do abuso entre os meninos. Observa-se que muitos homens envolvidos com o abuso sexual desenvolveram problemas como baixa autoestima e sentimentos de inferioridade, sentindo-se como se fossem menos homens que os demais. Além desses, outros aspectos negativos perduram durante muitos anos nessas vidas, caso não recebam acompanhamento de uma rede de apoio, basicamente composta por profissionais, grupos de apoio e mútua-ajuda e religioso, para superarem os seus traumas.


A luta para provar a masculinidade parece continuar ao longo dos anos de vida de muitos homens, ainda que não alimentem as “brincadeiras” com parceiros do mesmo sexo na vida adulta. Já as meninas, acabam nutrindo sentimentos negativos com relação aos homens, de forma generalizada, devido aos abusos que sofreram por parte deles. Além disso, elas também podem repetir os mesmos ou outros abusos com outras meninas e também com os meninos, inclusive na vida adulta, como a pedofilia por parte da mulher. Portanto, é possível concluir que o abuso entre meninos e meninas, de todas as idades, é uma violência com consequências graves para a vida adulta.

Muitos meninos, infelizmente, acreditam no mito de que precisam aprender a sofrer para se “tornarem homens” e acabam aceitando a “lei” dos mais velhos ou dos que já passaram por experiência de abuso sexual. Essa dinâmica se efetiva tanto através das interações homossexuais – quando um subjuga o outro com a “brincadeira” sexual – quanto também através de outras “brincadeiras” envolvendo tapas, pontapés, socos etc. Os meninos subjugados não se queixam dessas agressões para que a sua masculinidade não seja questionada.

Segundo Lang, ao mesmo tempo em que os meninos sentem prazer nestes encontros coletivos, em que um tenta se relacionar com o outro como se fosse mulher, há uma constante luta para provarem a própria masculinidade entre si. Observo que, normalmente, os meninos relatam prazer sadomasoquista “nas brincadeiras sexuais” (= abuso sexual); porém, o fato de sentirem prazer não significa ausência de consequências negativas para a vida adulta tanto daqueles meninos que desenvolveram alguma forma de homossexualidade como também para os que mantiveram a heterossexualidade.

Na verdade, os abusos sexuais nem sempre são atos agressivos, como já foi dito antes, e os meninos não podem impedir o prazer deste tipo de aproximação. Assim, pelo fato de terem sentido prazer, alguns homens se enganam pensando que “são” homossexuais e não que “estão” homossexuais. Isso se explica porque somos seres sexuados e os contatos físicos carinhosos podem nos estimular de forma a sentirmos prazer. Contudo, uma vez ocorrido o abuso, outros sentimentos negativos também podem aflorar, simultaneamente, desses contatos, tais como nojo, medo, dor, culpa, inferioridade, impotência, fragilidade, raiva, sensação de estar fazendo algo errado, inadequado, e outros.

Defendo a hipótese de que o prazer que essas relações abusivas podem produzir, principalmente quando não ocorrem da forma violenta clássica, mas velada, – por isso, mais perversa – somado ao fato de serem parte das “brincadeiras” masculinas em vestiários, banheiros de escolas, playgrounds, shoppings e outros lugares, isto é, onde quer que pessoas do sexo masculino, de todas as idades, estejam juntas com outras neste mesmo tipo de interação, explica o empenho do movimento da liberação sexual. Tal movimento parece fazer coro com o movimento do amor erótico entre adultos e crianças
[7] para naturalizar o consentimento da relação sexual entre pessoas de todas as idades; especialmente na infância, quando as crianças estão descobrindo suas partes genitais e são estimuladas, precocemente, a entender o seu funcionamento.

O lobby desse movimento social, no Congresso Nacional, e a triste realidade da sua presença no Ministério da Educação através da “educação para a livre expressão da orientação e diversidade sexual, sem discriminação e preconceito”, pode ser claramente observado. Em meu entendimento, esta é uma forma perversa de inverter valores: fazer parecer natural e boa a relação sexual abusiva e pervertida entre crianças, de adolescentes com crianças e de adultos com crianças/adolescentes.

Welzer-Lang revela muitas verdades, as quais se confirmam tanto na história de pacientes quanto na de apoiados dos ministérios de apoio aos que voluntariamente desejam deixar a homossexualidade. Os homens envolvidos nos jogos sadomasoquistas podem agredir fisicamente as mulheres e também abusar sexualmente delas, tanto na vida adulta quanto na infância e/ou adolescência. Meninas que já assistiram cenas de agressividade masculina, ou que já foram agredidas e/ou abusadas sexualmente, podem alimentar uma aversão a homens – muitas, inclusive, se unem na luta contra os homens heterossexuais. Tal fato explica a união dos movimentos sociais feminista com o de gays e lésbicas para o extermínio do homem macho heterossexual, conforme afirma o Dr. Sócrates Nolasco. O ódio generalizado aos heterossexuais sugere uma enfermidade social que precisa ser reconhecida pela OMS – Organização Mundial da Saúde – como mais um tipo de transtorno dentre os ligados à fobia.

Cabe ressaltar que, nesse contexto, várias crianças e adolescentes abusados que não puderam se defender ou não foram protegidos na ocasião em que ocorreu o abuso, nutriram sentimentos de ódio e fizeram planos de vingança para a vida adulta. Não tendo recebido tratamento para os seus traumas, acabam por se estranhar com a fobia ao heterossexual. Um desses planos de vingança se evidencia na criação de movimentos políticos que visam o extermínio compulsório da heterossexualidade devido à aversão ao sexo oposto, o que se denomina heterofobia. Esta é também uma tentativa inócua de combater a violência de homens contra mulheres, uma vez que não combate o abuso sexual contra a criança e o adolescente, nem a sua naturalização. Como foi visto, a heterossexualidade não é a causa da violência de homens contra as mulheres; antes, a sua origem está na normalização da cultura homossexual abusiva, que ocorre, principalmente, entre os seres humanos do sexo masculino a partir da infância.

Neste trabalho, então, buscamos evidenciar a relação entre a banalização do abuso sexual de crianças e adolescentes e a estreita relação desse tipo de abuso com a violência contra mulheres e com a heterofobia. Um simples olhar mais atento e acurado sobre os movimentos sociais e leis concernentes, principalmente quanto à livre expressão sexual, revela a intrínseca relação entre tais assuntos, bem como a pertinência do que aqui foi exposto.

Ressalto, portanto, que o movimento de apoio aos que voluntariamente desejam deixar a homossexualidade e os movimentos sociais que objetivam a liberação sexual diferem, essencialmente, em seus objetivos: enquanto estes visam à liberação e livre expressão sexual, inclusive de crianças e adolescentes, invertendo a realidade ao declararem que a “heterossexualidade compulsória e a homofobia” são as causas da violência contra mulheres e homossexuais, aquele diz NÃO AO ABUSO SEXUAL, especialmente ao abuso homossexual entre meninos, de adolescentes com os meninos e, principalmente, de homens com meninos/adolescentes. Assim, o movimento de apoio ao ser humano de todas as faixas etárias, tanto do sexo masculino quanto do feminino, levanta a BANDEIRA da união de todos pelo fim da cultura da banalização do abuso sexual.

A sabedoria popular diz: “Mais depressa se pega um mentiroso que um coxo”.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JUSTINO, Rozangela Alves. Câmara dos Deputados. Deputado Federal Henrique Afonso. A “NORMALIZAÇÃO” DA PEDOFILIA. Brasília: Centro de Documentação e Informação - Coordenação de Publicações, 2008.

MANUAL SOBRE CRIMES DE ABUSO SEXUAL INFANTIL: para promotores de justiça. Rio de Janeiro: PGJ, 2004.

NOLASCO, Sócrates. De Tarzan a Homer Simpson: banalização e violência masculina em sociedades contemporâneas ocidentais. Rio de Janeiro:Rocco, 2001.

WELZER-LANG, Daniel. Estudos Feministas. vol 9, N.2. A construção do masculino, dominação das mulheres e homofobia. Santa Catarina: CFH/UFSC, 2001.

WWW.ABRACEH.ORG.BR


[1] Rozangela Alves Justino é Psicóloga (CRP 05/4917), especializada em Psicologia Clínica e Escolar/educacional. Pós-graduada em Psicodrama e Psicopedagogia, possui, ainda, treinamento em EMDR (Terapia do Estresse Pós-traumático). Cursou a especialização em Atendimento a Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Doméstica/PUC-RJ.

[2] Desde 2009, fui proibida, por determinação do CFP – Conselho Federal de Psicologia –, de apoiar pessoas que voluntariamente desejam deixar a homossexualidade. Tenho mantido a posição de obediência ao Conselho Profissional até que meu processo seja anulado na justiça comum, e as autoridades reconheçam a minha liberdade constitucional e humana de continuar a realizar tais atendimentos.

[3] Fobia ao heterossexual, à heterossexualidade.

[4] WELZER-LANG, Daniel. Estudos Feministas. vol 9, N.2. A construção do masculino, dominação das mulheres e homofobia. Santa Catarina: CFH/UFSC, 2001.

[5] É a Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006, que cria mecanismos para coibir e proibir a violência contra a mulher.
[6] Manual sobre crimes de abuso sexual infantil: para promotores de justiça. Rio de Janeiro: PGJ, 2004, p. 9
.
[7] NAMBLA é uma associação americana que tenta naturalizar a relação sexual entre crianças e adultos em todo o mundo e parece já ter filial no Brasil. Na Holanda já existe, inclusive, partido político pedófilo.

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